Diário de uma Amiga-Anônima

Quem é vivo sempre aparece

Sim, estou viva. E sinceramente não sei se ainda existe alguém que lê este blog e que se importa com isso… Foi a ausência mais longa que me permiti por aqui, jamais pensei que abandonaria o blog por tanto tempo. Pensei em deletá-lo e perdi o domínio, mas no fim das contas, consegui recuperá-lo.

Acredita se eu disser que senti saudades?
Não escrevi antes porque estava incapacitada de verbalizar o quanto eu vivi nesses últimos meses. Foram muitas emoções, muitas delas não muito agradáveis como a perda do meu pai, mas a verdade é que sobrevivi à correnteza e somente agora estou conseguindo chegar à superfície para respirar.

Voltei ao Canadá, comecei a estudar a língua de novo, comecei a trabalhar. Parei o curso de francês, suspendi leituras e tudo o que eu gostava de fazer. Precisei de tempo para mim e ainda preciso de muito tempo…

Luto atualmente para me adaptar à uma língua que não me pertence, à uma cultura diferente, à um frio desconhecido e cruel. Luto contra a saudade de tudo e de todos, inclusive de mim mesma às vezes. De vez em quando, acho que me perdi em algum montinho de neve, mas me encontrando aos poucos meio ao desconhecido.

A vida continua cheia de batalhas e desafios, mas eu sou brasileira e não desisto nunca rs rs…

Enfim, peço desculpas pelo sumiço, pelos e-mails que não respondi e sequer li.

Voltemos à programação normal.
Estou de volta escrevendo para ninguém além de mim mesma, como sempre foi.

Sentindo Caminhando lentamente
Ouvindo Flightless bird, American mouth – Iron & Wine – Twilight OST

Quando a vida te pega de surpresa…

Eu tinha muitas novidades para contar. Eu tinha muitos sentimentos que queria compartilhar, muitas coisas que eu queria que você soubesse. Eu queria falar das despedidas que vivi, da mudança que fiz, do país que encontrei quando desci do avião, das dificuldades com a nova língua, das compras para a nova casa. Queria que você soubesse dos micos que paguei… Mas, o destino quis que eu viesse aqui falar de um assunto muito triste e que me deixou sem chão…

Essa semana eu perdi meu pai.

Estava a quilômetros de distância quando recebi a mensagem. O mundo foi ao chão… Foi tudo tão de repente… Ele parecia tão saudável… Mas um infarto interrompeu sua vida aos 52 anos num momento mais feliz de sua jornada. Não pensei em outra coisa a não ser estar aqui e por isso peguei o primeiro avião que havia. Cheguei a tempo de ver as últimas homenagens e acompanhar o enterro. Foram as horas mais intermináveis que vivi…

Meu pai era um exemplo de vida. Alguém de veio completamente de baixo e conseguiu ser alguém. Foi um pai extremamente carinhoso e presente da maneira dele. Nunca em nenhum momento deixou de dizer que me amava e que tinha orgulho de mim. Estava muito feliz com a decisão que eu havia tomado e me apoiou demais. Me deu recursos para emocionais e financeiros para enfrentar o medo e ir atrás do meu sonho. Me ensinou sobre tudo, me deu conselhos valiosos que com certeza transmitirei aos meus filhos, se eu os tiver.

Ele sim sabia aproveitar a vida e os momentos. Não se preocupava com bobagens e era muito prático. Também muito organizado, mas essa qualidade eu não herdei, infelizmente.

Sentirei saudades imensas do seu abraço, da sua voz, do seu otimismo, das suas brincadeiras, da sua seriedade. Sentirei saudades imensas…

A dor é enorme no momento, mas sei que o tempo é o melhor remédio… A dor dará lugar para a saudade dos bons momentos. Esteja ele onde estiver, sei que estará bem e que olhará por mim…

Pai, eu te amo e jamais te esquecerei… Obrigada por tudo…

Preparativos para a viagem

Às vezes, eu ficava imaginando como seria uma mudança desse porte, mas não imaginei que envolveria tantos detalhes. É necessário muito planejamento, muito desprendimento e também muita força de vontade de mudar e correr atrás de um objetivo.

Me pego pensando mil vezes: “gente, será que eu vou fazer isso mesmo?”. Nunca imaginei que teria a coragem, sério mesmo. Sou a rainha da acomodação, a zona de conforto é sempre tão quentinha e, afinal, porque mexer em time que está ganhando? Mas se eu não for lá viver pra ver como é, nunca saberei. E é agora ou nunca.

A casa está quase desmontada, eu praticamente vivo com quase tudo emprestado, porque o que eu vendi e não entreguei ainda, não é mais meu, né? Nas próximas semanas, a tendência é só piorar e o apê também passará por ajustes. Teremos de dormir fora, inclusive com as gatas. Vai ser um estágio preparativo para a vida nova hehehe

Sigo então correndo e tentando colocar as emoções em ordem.

Faltam 16 dias para o embarque.

Sentindo Vendendo o que resta
Ouvindo Algo no rádio

Oficialmente sem emprego

Meu último dia de emprego foi na quarta-feira passada. Fiquei muito aliviada, mas também angustiada por não saber se demorará muito para ter emprego novamente. A essa altura do campeonato, a empolgação para iniciar a nova vida com os novos desafios está grande.

As malas começaram a ser feitas e nessa história toda já tirei toneladas para doação. Pelo menos faço alguém necessitado feliz. Bate meio que um desespero por ter que enfiar as coisas na mala, mas apesar de tudo, as sensações são boas. Estou esperançosa. São muitos detalhes a acertar e aos poucos as coisas vão se encaixando. Ainda bem.

Já passei por algumas despedidas e sempre fico mexida com tudo. O sentimento está à flor da pele, impressionante.

Estou com dificuldades com minha mãe para lidar com essa viagem… Não a culpo, deve ser muito triste realmente ficar longe de um filho, mas quanto maior o drama, mais difícil é a despedida… Enfim…

Tenho milhões de checkup pra fazer ainda e vamos que vamos.

Faltam 19 dias para o embarque…

Sentindo Arrumando as malas
Ouvindo Again - YUI

Notícias do front

A ansiedade foi tanta que resolvemos antecipar nossa viagem para o dia 04/07. Agora, só são emoções e correrias pra lá e pra cá e, apesar do pavor que sinto lá dentro, estou animada.

Apesar de ainda sofrer por dentro por me sentir desamparada do apoio de certas pessoas (leia-se família e o post anterior também é pra ela), as coisas vão caminhando de forma muito positiva. Descubro amizades de onde não esperava retorno e isso é muito bacana. Todo dia descubro algo diferente nessa jornada. Crescimento interior mode on.

Há muitas coisas ainda por fazer, mas que dependem do dinheiro a receber pelo trabalho. Estou aproveitando também para fazer um checkup de saúde para sair daqui tranquila de que está tudo bem.

Começa agora a temporada das despedidas e, ao mesmo tempo que é maravilhoso, é também muito triste… O coração está sempre na mão. E é só começo

Vamos que vamos.

Sentindo Tentando respeitar as diferenças
Ouvindo O violão do Marido

Pausa para um parêntese

É uma lição diária aprender a lidar com aquilo que não devemos esperar dos outros, é difícil não ter a expectativa de algo que as pessoas podem não te oferecer. Esse tem sido o aprendizado dos últimos dias, o dilema mais presente no momento.

Cada um oferece o que pode, da maneira que pode e cabe a nós estarmos ali, tranqüilos e serenos para entendermos que cada um vive da melhor maneira que consegue.

Nada é oito ou oitenta. Nada é preto no branco. Muitas coisas podem ser tons de cinza e é aí que reside a beleza das diferenças entre os seres humanos.

Há de se ter a cabeça aberta para entender o ponto de vista alheio, aprender e assimilar isso e ser capaz de seguir em frente, sempre em plena evolução. Quem não está aberto a ouvir, a entender e a virar a página das lições da vida, está fadado a encolher no próprio mundo, a se fechar para lindas oportunidades que a vida oferece.

Próxima página, por favor.

Sentindo Tentando respeitar as diferenças
Ouvindo O violão do Marido

Alivio!!

Então. Finalmente anunciei para o chefe a minha saída! Foi como retirar um elefante das costas, nossa! Agora já não preciso mais guardar segredo para mais ninguém, todo mundo sabe, inclusive o cliente! o/
O mais engraçado é pergunta padrão “mas você já tem emprego lá, né??” e a cara de espanto ao ouvir “não, eu vou batalhar isso quando chegar lá” kkkk

Já resolvi diversas coisas e ainda faltam outras tantas, mas a essa altura do campeonato, já não estou nem aí mais. Tudo dará certo e tenho tempo para fazer o necessário.

Ah, comecei a fazer estoque de certas coisas para levar na mala, como calcinhas, por exemplo. Afinal, ninguém merece calcinha de gringo. Alguns remédios estão sendo comprados a mais também.

Para diminuir a ansiedade, resolvi comprar umas lãs e fazer cachecóis. Desse jeito, eu mantenho os nervos controlados e ainda faço algo que será muito útil na vida nova, né?

Incrível como Deus tem se mostrado presente nos últimos dias, tudo se encaixando nos momentos certos… Estou muito feliz :)

Sentindo Mais calma
Ouvindo O violão do Marido

Agora não tem mais volta

Os nossos vistos chegaram esta semana. Todas as passagens, inclusive o trecho EUA – Canadá, já estão compradas e o apartamento temporário está reservado para um mês. Dia 05/08 partiremos rumo ao desconhecido.

Minha mãe ainda tem esperanças de desistirmos e isso me deixa triste, mas eu preciso entender o sentimento dela. Não deve ser fácil enfrentar o fato de ter um filho morando há quilômetros de distância. Preciso do apoio, mas também preciso entender o que ela sente.

Faltam 11 dias para eu oficializar minha decisão no trabalho e nem tenho dormido à noite pensando nisso. Todo dia também me preparo um pouco para despedidas das pessoas queridas, que acho que será uma das partes mais difíceis disso tudo.

As caixinhas de transportes das gatas já estão compradas e aos poucos as coisas vão se acertando.

Estou nervosa, com medo e ansiosa ao extremo, mas estou muito feliz com as decisões que estou tomando.

Sentindo Ansiosa
Ouvindo Algo na TV

A arte do desapego – Parte 1

Esta semana eu divulguei várias coisas para vender. Livros, DVDs, CDs, coisas de casa… Até que o saldo tem sido bom, achei que demoraria a vender muitas dos artigos listados, mas para minha surpresa, o bazar tem sido um sucesso.

É estranho entregar para outras pessoas aquilo que faz parte da sua vida, mas procuro pensar no futuro e ver que vender essas coisas será bom e que me proporcionará algo lá na frente. É a arte do desapego e talvez um dos sentimentos mais conflitantes para quem enfrenta uma situação como essa. Como uma boa canceriana, adoro colecionar objetos e sentimentos relacionados a eles, porém preciso focar em novos sentimentos e novas histórias.

Agora, a maioria dos amigos já sabem da novidade e o segredo permanece apenas para o pessoal do trabalho e para o chefe por motivos óbvios, é claro. Agora faltam poucos dias para que eles também saibam e, quanto mais esse momento se aproxima, mais o frio na barriga aumenta…

Mas vamos que vamos.

Sentindo Bem
Ouvindo Nada

Passagens compradas

E o destino continua mexendo seus pauzinhos pro nosso lado… Veja você que a CVC fez uma promoção fantástica para os Estados Unidos e veja você que nós conseguimos comprar um pacote para passar uns dias em Orlando e Miami por um preço menor do que fôssemos comprar as passagens direto para Montreal.

Em menos de um ano, voltaremos à Disney para descontrair antes de iniciar uma nova jornada rumo ao desconhecido e estamos muito felizes pela oportunidade. O visto ainda não saiu, mas deverá estar aqui em casa até o final de abril.

E por aqui, estamos nas assustadoras sensações do desapego inevitável por tudo o que temos em casa. Não é fácil juntar tudo que temos pra colocar um preço, minha gente.

Estou sofrendo :(

Sentindo Feliz, mas angustiada
Ouvindo Fantástico